Você pensa que arquitetura é coisa de gente rica?..

Este conceito de que arquiteto e arquitetura são caros é completamente inconsistente; a grande diferença da obra cara pra barata não está exatamente na qualidade da arquitetura, e sim na qualidade e principalmente nas grifes e custos da especificação dos materiais e na complexidade e sofisticação do detalhamento, obviamente determinados pela quantidade de dinheiro disponibilizada para a obra.


Projetar pra clientes ricos é ótimo, é muito bom e relativamente fácil pela total liberdade de propostas possíveis e pela quase total ausência de limites, o que nos permite realizar projetos como se desenha uma jóia e conseguir resultados relevantes que encantam clientes e massageiam nosso ego.


Porem, projetar pra classe média com limitações financeiras é tão gratificante quanto, embora seja muito mais sutil trabalhoso e difícil pela limitação das possibilidades que nos levam a trabalhar com alternativas e propostas genéricas.


Arquitetura neste contexto é coisa pra arquiteto competente, experiente, está muito mais pra ética do que pro ego, é questão de enorme responsabilidade, pois o que se coloca nas mãos do arquiteto são sonhos, economias, expectativas de futuro e de felicidade de uma pessoa, um casal, uma família ou uma comunidade, e por isso mesmo, é extremamente gratificante ao buscarmos e conquistarmos resultados consistentes e relevantes nos espaços, no conforto e na qualidade de vida das pessoas.


De objetivo, o que se busca nesta questão é a arquitetura do necessário, do possível, é equacionar numa obra, questões de espaço, conforto, ambientação, expectativas e sonhos dentro dessa fronteira financeira, sem jamais ultrapassá-la sem prévia permissão, sob o risco de deixar uma família à deriva, ou sem uma casa ou acampados em uma casa inacabada.


Nestas circunstancias é fundamental a experiência, a competência, a dedicação e obviamente a ética do arquiteto, pois é uma empreitada que não permite erros de qualquer natureza.


A arquitetura, ou seja, a qualidade dos espaços, a segurança, o conforto, a estética, a ambientação, os símbolos e a diferenciação fazem parte do dia a dia de qualquer ser humano. Seja numa casa, num apartamento, escritório, praça, numa caverna ou debaixo de uma ponte, e é este ser humano em qualquer tempo e lugar a única referencia da arquitetura, o único e grande motivo dessa profissão e do nosso ofício. É em prol de sua felicidade que nós trabalhamos ou deveríamos trabalhar, pois ele é o nosso único objetivo.


Vaidades e egos são irrelevantes e descartáveis diante desses desafios, as arquiteturas de arquiteto pra arquiteto, das fotos, dos prêmios e das revistas, são, ou deveriam ser irrelevantes diante de tamanha responsabilidade profissional, e é isto o que se espera da profissão e dos arquitetos.


De subjetivo o que se busca é a felicidade, por que, Arquitetura é pra fazer as pessoas mais felizes, ou colocá-las a caminho!...



SAUL VILELA