MEU REECONTRO, COM FRANK LLOYD WRIGHT

O primeiro encontro foi a trinta e quatro anos atrás, quando o conheci em 1973 na biblioteca da escola de arquitetura da UFMG, apresentado pela professora Suzy de Mello que cultivava por ele uma grande admiração. Desde então eu também me encantei com ele, passei anos degustando, apreendendo e buscando entender a dimensão dessa obra, desse arquiteto que sempre teve o homem, a descoberta e a invenção no centro da sua questão, a sua obra de arquitetura.


Durante todos estes anos, apesar do turbilhão que é a nossa vida e dos diversos caminhos que um jovem arquiteto tem que percorrer, eu jamais perdi essa referencia; Tornei meus os seus compromissos com uma arquitetura na dimensão do homem e decididamente compromissada com a emoção. Eu devo muito a ele, eu o perdi no tempo, porém a sua sombra sempre passeou ao meu lado... O mundo dá voltas, porém eu jamais pensei reencontrá-lo, muito menos na sua casa em Phoenix, Arizona, onde ele passou grande parte da vida e onde ele morreu na sua Taliesin West, onde está enterrado desde 1959, quando eu já tinha meus oito anos de idade.


Pois é, eu nunca soube por que o eco corre atrás de nós... Hoje me pego aqui, nas asas da South West Airlines, viajando depois de iniciar um projeto em pleno deserto do Arizona, logo após a surpresa a emoção e a honra de visitá-lo e revê-lo em sua casa.


Em Phoenix, a convite de Mr. Jim Collins, outro admirador que também foi arrebatado pela magia do velho Frank Lloyd, fui visitar a Taliesin West, a escola de arquitetura que ele fundou e construiu em 1937, pouco antes da segunda guerra, e onde ele e os alunos moravam.


Está tudo lá, eu descobri que para os americanos além de Elvis Presley também Mr. Frank Lloyd Wright está vivo, com toda sua magia, todo o seu encanto, sua genialidade, sua coragem, sua coerência e irreverência. Em sua obra, na sua Taliesin West, sua casa, em todos os seus detalhes você vê a mão do gênio, o respeito pelo motivo, pelos símbolos, pela função, e obviamente pela forma.


Está tudo presente lá, à vista, vivo, atual, original, rico, estético, coerente e irreverente ao mesmo tempo.


Eu desconheço na história da arquitetura um arquiteto que foi tão completo, intenso e competente, não só na sua obra de arquitetura, mas em tudo o que fazia, seu design de mobiliário, decoração ou arte.


Um artista completo, um exemplo a ser seguido, apreendido, ou no mínimo visitado por quem pretende fazer arquitetura, design, decoração ou arte.


Renovado e mais ainda convicto de que o mergulho na nossa própria historia é a mais relevante viagem a ser feita, retorno ao meu trabalho em Phoenix, ansioso e curioso pelo terceiro encontro quando certamente poderei, com mais tempo, desvendar algumas duvidas sobre questões atemporais e sobre a magia do subjetivo na arquitetura e na vida.


A sua benção mestre Frank Lloyd Wright.

SAUL VILELA