ARTE E ESPERANÇA

Somente em homens de exceção há agora uma necessidade artística em alto nível, porque a arte em geral está mais uma vez em retrocesso e por algum tempo as forças e esperanças humanas se voltaram para outras coisas”. Nietzsche 1890


É neste caminho solitário e mágico que eu desvendo os meus mistérios. O que me encanta nisto, é a possibilidade ilimitada de criar, atuar, mudar e de viver intensamente, pois, a arte, possui um potencial atemporal de transformação da humanidade que aponta para cima, que impreterivelmente nos associa ao alto astral das coisas que são relevantes, e na vida o que realmente importa é o amor e o bem querer das pessoas, o viver as emoções e atrelado a elas, entre si, a saúde e a felicidade. O resto é o resto, podem acreditar.


Como frutos de uma intensa, atenta e extensa trajetória, a percepção estética aliada à uma visão ética e filosófica da vida tecem esse fio que me liga definitivamente às artes plásticas.


A opção pelo subjetivo ou pela abstração é para mim a porta para um mundo que transcende os meus cinco sentidos; não é mais aquela questão empirista onde a partir deles tentávamos chegar ao admirável e mecanicista mundo novo, mas sim, a velha síntese kantiana onde esta harmonia deságua num sexto sentido que imediatamente nos remete à uma relação xamã com o inconsciente, ou seja, que nos permite transcender nossa razão cartesiana e descobrir através da sensibilidade, da percepção, da emoção e da intuição, mundos ocultos ou paisagens interiores, que dizem sobre nós muito além do que nós mesmos podemos dizer.


Aos cinqüenta, já não nos perturba mais a flor, mas sim o fruto; nesta etapa da viagem já percebemos que o planeta consegue continuar girando apesar de toda a maluquice que sobre ele impera, e também já sabemos que a vida tem muitas portas, sabemos que entre o espaço e o tempo habitam infinitas razões a nos garantir que jamais podemos deixar a nossa felicidade à mercê das circunstâncias.



SAUL VILELA